“[…] A profanação de que fala Agamben é, também, a palavra mais interessante para classificar o conjunto de obras do artista espanhol Xoán-Xil López vencedor de um prémio numa das últimas Ars Electronica em Linz, na Áustria, com uma espécie de esculturas arcaicas que produzem sons de pássaros.
Ora, este é um acontecimento importante, já que a Ars Electronica é o evento mais impactante da chamada arte tecnológica, E, assim sendo ganha maior dimensão a atribuição do prémio a algo aparentemente alienígena no universo das máquinas up to date que por lá se encontram…e, porque não, também, lucidez.
Analisámos apenas duas das hipóteses possíveis do relacionamento da arte com a tecnologia: a duração e a obsolescência. Aquelas mais directamente ligadas à noção problemática de contemporâneo, hoje, quase que confundida com a de digital. Muitas outras possibilidades existem. De uma forma ou de outra a arte sempre teve de se adaptar, criticamente, a novas inovações tecnológicas. Só para lembrar as mais recentes: a fotografia, o cinema, o vídeo e, finalmente, agora, o digital […]”.
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